Aves

A comunidade de aves ocorrente no Pantanal é diversificada e composta principalmente por elementos típicos de biomas vizinhos (notadamente a Amazônia), sendo que a maioria tem a região como seu limite meridional  de  distribuição  na  América  do  Sul.  Neste bioma ocorrem inúmeras espécies de aves aquáticas residentes e migratórias.

 O Pantanal é reconhecidamente uma área importante como sítio reprodutivo de várias espécies de aves. Entretanto, sabe-se consideravelmente pouco a respeito dos movimentos migratórios de espécies que usam a região por determinado período do ano ou passam por ela. Na América do Sul, estudos com anilhamento revelaram movimentos de uma série de aves aquáticas entre o Pantanal e as áreas úmidas do baixo rio Paraná, no sul do Brasil e Argentina (Antas 1994).

O Pantanal, entretanto, pode também prover hábitats essenciais para migrantes que estão se deslocando entre os hemisférios norte e sul, tal como as aves limícolas neárticas, algumas das quais têm seus sítios reprodutivos localizados no norte da América do Norte, mas passam o inverno boreal ao sul do Pantanal (Morrison e Ross 1989). Embora sua importância potencial para esses grupos tenha sido reconhecida (Antas 1983, Scott e Carbonnel 1986, Bucher et al. 1993), ainda carece de documentação quanto aos padrões de distribuição, seja em escala temporal e sazonal, bem como quanto à utilização de hábitats, entre outros aspectos relevantes do ponto de vista de sua conservação.

Algumas espécies encontradas no Pantanal são bastante genéricas quanto à sua ocorrência. Por exemplo, o Quero-quero, que é uma espécie neotropical residente no Pantanal (Brown 1986). É amplamente distribuída na América do Sul e uma das aves mais populares. Considerada sedentária, com limitada dispersão após a reprodução, embora algumas populações do sul possam deslocar-se para áreas menos frias durante o inverno austral. Fora do período reprodutivo, ocorre em pequenos grupos. Entretanto, outras espécies, como a Jacana jacana (Jaçanã), são de distribuição mais restrita. A Jaçanã é uma espécie residente no Pantanal e a única do gênero encontrada na América do Sul.

      Tuiuiú (Jabiru mycteria), ave símbolo do Pantanal, nidifica em toda a sua área. A ave, também conhecido como Jaburu, tem uma beleza exuberante e pode ser encontrado desde o México até o Uruguai. Podendo facilmente atingir mais de um metro de comprimento e pesar 8 kg, o tuiuiú tem um bico longo e forte. Vivem às margens dos rios e em árvores maiores. Costumam compartilhar o ninho até com outras espécies, principalmente com as garças. Se alimenta basicamente de peixes, moluscos, répteis e pequenos mamíferos e tem uma função vital no equilíbrio ecológico da região, já que se alimenta de peixes mortos durante o recuo das águas na seca. No pantanal, estão presentes sazonalmente, de abril a dezembro. Estudos com marcadores acompanhados por satélite mostraram amplos movimentos no interior da planície, sem que exista um padrão estacional (Antas e Nascimento, 1996).

      A Seriema (Cariama cristata), de porte médio, geralmente anda em casal ou em pequenos grupos, prefere correr a voar. Nativa da América do Sul, ela também é onívora. Bastante desconfiadas na presença de humanos, quando se sente ameaçada costuma enfrentar emitindo um som e abrindo as asas. Os pantaneiros costumam dizer que o canto dessa ave indica o fim da época da chuva.

      A Ema (Rhea americana), considerada a maior ave brasileira, tem pernas fortes para correr e usa as asas apenas para mudar de direção. Não voa. Embora existam cinco subespécies, é bastante difícil identifica-las a olho nu. O macho é responsável pela incubação dos ovos e cuidado dos filhotes. Essa ave do Pantanal é onívora e vasculha a planície pantaneira em busca de frutas, sementes, lagartos, cobras, moluscos.

      O Colhereiro (Platalea ajaja) possui bico achatado e em forma de colher na ponta, essa ave de penas rosadas tem cerca de 81 cm de comprimento. O bico funciona como uma peneira que captura peixes e outros animais aquáticos, inclusive crustáceos que possuem carotenoides – responsáveis pela cor rosada da ave

 

Fonte: Aves migratórias no Pantanal: distribuição de aves limícolas neárticas e outras espécies aquáticas no Pantanal. Coordenação Técnica – Inês Serrano /Iniciativa: WWF-Brasil. Brasília, 2008.

            Caetano, L. Aves do Pantanal – http://www.ornithos.com.br/aves-do-pantanal/. Morretes, 2016